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Guerra dos Emboabas

Na localidade, pela projeção da época, desencadeou um dos episódios mais sangrentos e decisivos do conflito envolvendo os direitos de exploração de ouro na futura Capitania de Minas Gerais, conhecido como Guerra dos Emboabas, entre 1708 e 1709, no local conhecido atualmente como Oratório Festivo Atual Santo Antônio do Leite.

O termo “emboaba” era pejorativo, dirigido aos estrangeiros que tentaram controlar a região das minas de ouro, tardiamente. Na língua tupi, essa expressão era originalmente utilizada pelos indígenas referenciando a todo tipo de ave que tinha suas pernas cobertas de penas até os pés. Com o passar do tempo, os bandeirantespaulistas a reinterpretaram para se referir aos forasteiros que, calçados de botas, alcançavam a região interiorana atrás dos metais preciosos.

Após a Guerra dos Emboabas, na Matriz de Nossa Senhora de Nazareth foi sagrado o primeiro governador eleito pelo povo da história das Américas, Manuel Nunes Viana, personagem esta, que liderava os vencedores Emboabas. No século XIX o distrito também sofreu as consequências da decadência do ouro na região.

Em vista do conflito a Coroa Portuguesa determinou a criação da Província de São Paulo e Minas de Ouro (1709). O capitão Antônio de Albuquerque foi nomeado oficialmente governador e Mariana escolhida como capital.

1720 - Felipe dos Santos e a sedição de Vila Rica

Em 1720, Felipe dos Santos e Pascoal Guimarães, mineradores de Vila Rica, foram os primeiros a enfrentarem a autoridade da Coroa. lideraram uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição e conseqüente recolhimento pela Coroa de um quinto de todo o ouro extraído. Revolta conhecida por Sedição de Vila Rica, obtinha a simpatia de várias camadas da população. O episódio mais importante da revolta se deu na praça da matriz, em Cachoeira do Campo: a prisão de Felipe dos Santos Freire, enquanto insurgia o povo. Foi condenado à morte. Há controvérsias sobre sua execução, se enforcado e esquartejado, ou teve o corpo amarrado a cavalos, que saíram em disparada estraçalhando-o. Pascoal Guimarães foi condenado e teve sua propriedade incendiada. Os acontecimentos materializaram-se na autonomia administrativa da região das minas. A então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro foi desmembrada em duas por D. João V, criando a Capitania de São Paulo e a Capitania de Minas Gerais, em 12 de setembro de 1720.

Construção do acervo histórico e artístico

Na primeira metade do século XVIII, uma poderosa aristocracia se consolidava no lugarejo, com influência e dinheiro o bastante para construir prédios suntuosos para a época. Aliás, mesmo hoje seriam considerados suntuosos. A pompa e luxo fizeram morada em Cachoeira do Campo. Não demorou para que o poder também a escolhesse como residência. A maior parte de seu acervo arquitetônico já não existe mais, como os antigos casarões coloniais da ladeira e da rua Sete de Setembro, o Palácio da Cachoeira, mesmo assim imponentes ruínas e construções remanescentes resistem ao tempo:

A Ponte do Palácio, datada do século XVIII, que dava acesso ao Palácio da Cachoeira, com 30 metros de comprimento e toda feita em pedra bruta, assentada em argamassa tendo o sangue de boi como aglomerante;

O Palácio da Cachoeira foi construído em 1773 por D. Rodrigo de Menezes. Era onde residiam os governadores da Capitania das Minas Gerais. Em 1811, foi transformado em internato pelas Irmãs Salesianas e atualmente funciona no local o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Segundo o historiador Augusto de Lima Júnior, o palácio era dotado de todo conforto possível naquela época, incluindo-se lago artificial. O Palácio do Governo era em Vila Rica, mas os governadores preferiam, para residência, o Palácio da Cachoeira, evitando-se com isso o clima úmido e chuvoso de Vila Rica e o burburinho da mineração.

Em 1775 foi construído no distrito de Cachoeira do Campo pelo governador provinciano Dom Antônio de Noronha, o quartel para abrigar o recém-formado Regimento Regular de Cavalaria de Minas, considerado a célula-máter da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Sua origem, portanto, data de 9 de junho do ano de 1775 no então chamado Quartel dos Dragões Del’Rey, onde lotava-se o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, exatamente no local onde se encontra atualmente o Colégio Dom Bosco (Centro Dom Bosco).

Em 1816, deu início as adaptações para fundação da Coudelaria Imperial de Cachoeira do Campo, o que se deu a 29 de julho de 1819, transformando o local no maior centro criador de cavalos de raça da província, partindo dali a gênese de algumas das raças mais apreciadas no Brasil e no exterior.

O Regimento de Cavalaria pago, tinha como missão guardar as minas de ouro descobertas na região de Vila Rica, (atual Ouro Preto) e Mariana.

Em 1834, o Regimento Regular de Cavalaria de Minas seguiu para o Rio de Janeiro, transformando-se no Primeiro Corpo de Cavalaria do Exército.

A Polícia Militar de Minas Gerais é a mais antiga entre as Polícias do Brasil e seu patrono é o alferes Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira.

1881 - Visita do Imperador

O Imperador Dom Pedro II esteve em Cachoeira do Campo, onde chegou em 2 de abril de 1881,2 por ocasião de uma viagem pela Província de Minas. A comitiva imperial saiu do Rio de Janeiro no dia 26 de março, viajando de trem até Barbacena, de onde a viagem devia seguir a cavalo até Ouro Preto. Quando sua carruagem entrou no distrito pelo Tombadouro, houve intenso foguetório provocado pela multidão que se encontrava nas proximidades da praça da igreja matriz, cessando a pedido da Imperatriz D. Teresa Cristina, por estar assustando os cavalos. O Imperador foi recebido pelo Pe. Afonso, Cel. Ramos e outras autoridades locais. A comitiva imperial passou pela Matriz de Nossa Senhora de Nazareth, cujos altares o "agradaram muito", como ele próprio escreveu. Passou também pelo Palácio da Cachoeira e no imóvel onde se localiza o Colégio Dom Bosco, onde segundo consta, era intenção do Imperador transformar aquela propriedade numa escola agrícola. Segundo conta os antigos a comitiva do imperador fazia sempre seu repouso no palacio do Catete em Santo Antonio do leite.o qual hoje so resta ruinas.

Durante o almoço Dom Pedro II sentou-se em uma cadeira imponente que anos antes havia também sentado seu pai Dom Pedro I em sua passagem pelo distrito, fato que lhe foi relatado carinhosamente por Manoel Murta, companheiro de caçadas de D.Pedro I quando das suas visitas a Cachoeira do Campo e santo antônio do Leite.

Santo Antônio do Leite

Sobre a origem do nome da localidade, existem versões romantizadas, segundo as quais, à época do Império, Oficiais da Tropa Paga de Cacheira do Campo, cavalgando pela região, passavam pelo local, onde encontravam leite de qualidade nas antigas fazendas da vila. O nome tornou-se popular e a região passou a ser chamada de Leite.

Na verdade, a presença do nome Leite é muito mais de um século anterior ao período imperial: Diogo de Vasconcelos, em sua "História Antiga de Minas Gerais", registra o nome Leite para o arraial quando da Guerra dos Emboabas, reconstituindo a chamada Batalha da Cachoeira, de setembro de 1708, em que os paulistas foram derrotados. Também Eduardo Canabrava Barreiros, em seu "Episodios da Guerra dos Emboabas e sua Geografia" informa que "Deslocando-se do Sabará os Emboabas dirigiram-se a Cachoeira do Campo, e passando pelo Leite atacaram os paulistas no local então conhecido por Jardim", onde fica hoje o Oratório Festivo. Mais especifico "Leite, atual Santo Antônio do Leite, distrito do municício de Ouro Preto". Pode-se pois dizer que, sendo o arraial do conhecimento dos combatentes de Manuel Nunes Viana, chefe dos Emboabas, a provável formação do arraial tenha se dado em torno de 1700, talvez antes, por ser passagem entre a Cachoeira do Campo e Ouro Branco. A incorporação do hagiomástico "Santo Antônio" ao "Leite" deu-se somente após 1858, quando foi concluída a igreja construida em torno da primitiva capela erguida em homenagem a Santo Antônio de Lisboa, na Praça Juca Geraldo. A nova edificação deveu-se ao grande esforço e dedicação de Antônio Gonçalves do Sacramento, destacado personagem da história local, que levantou os necessários fundos. O teto da igreja ostenta bela pintura alegórica de autoria de Honório Esteves, natural da localidade.

O Almanaque administrativo, civil e industrial da província de Minas Gerais, de 1864, registra o povoado com o nome de Santo Antônio do Arraial do Leite. Tornou-se distrito de Ouro Preto com o nome atual, pela leinº 843 de 7 de novembro de 1923. Pela lei nº 336 de 27 de dezembro de 1948 passou a se chamar Bárbara Heliodora, mas, após abaixo-assinado firmado pela unanimidade dos moradores, conseguiu-se em 1953 , com projeto aprovado pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais e proposto por Carlos Horta Pereira

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