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História da Igreja

A PRIMITIVA CAPELA

Já vimos que a igreja de Santo Antônio foi iniciada por Antônio Gonçalves do Sacramento, português. Com a sua morte em Catas Altas de Noruega, o povo da localidade levou em frente a obra iniciada, chegando a concluir a primitiva igreja. Logo a seguir, os moradores - ou quem sabe o Vigário de Cachoeira do Campo - convidaram o então Bispo de Mariana, D. Antônio Ferreira Viçoso para a bênção da capela. Narram as atas que D. Antônio Viçoso rezou a 1º Via Sacra na nova capela no dia 11 de setembro de 1863.

Pode-se imaginar a satisfação do grande Bispo, ao chegar aqui. Além de constatar o esforço do povo para construir, com os próprios recursos, aquele templo, teve duas outras alegrias: ele era português e viu que o idealizador da igreja - Antônio Gonçalves do Sacramento - também o era. Verificou, também, que a igreja era dedicada a um santo português, de Lisboa, o qual, da mesma forma, era seu conterrâneo.

Mal sabia, porém, o imortal Bispo as modificações por que passaria a modesta capela, e os fatos miraculosos que ali se dariam no futuro. Mas é provável que tudo isso esteja vinculado à sua bênção poderosa, referendada imediatamente por Santo Antônio, pois hoje D. Viçoso está beatificado e até canonizado como santo da Igreja Universal.

Isto vale dizer que a primeira igreja de Santo Antônio foi benta por um santo. Por coincidência, outro Santo Antônio. O futuro Santo Antônio Viçoso. Não é um privilégio. A primeira missa celebrada por Dom viçoso Foi realizada provavelmente aqui. Trata-se de um lugar maravilhoso e abençoado.

PRIMEIRA PINTURA

Entre centenas de outras crianças, nasceu aqui, bem próximo à igreja, um menino chamado Honório, que se distinguiu, desde cedo, pelo amor ao estudo, à arte. Dizem que - criança ainda - vivia a fazer pinturas nos papéis de embrulhos, nas paredes, nas portas, etc. Entrou, certa vez, na capela de Santo Antônio e viu - como em tantas outras igrejas - o teto limpo, claro. As tábuas do coro, brancas e lisas. Honório começou a pensar: "Ahl Se houvesse alguém que pintasse esta igreja". Mas o tempo passou. Honório cresceu e foi estudar em Ouro Preto. Ali o seu talento de pintor se extravasou. Começou a pintar quadros e painéis para igrejas, residências, palácios. Foi quando esteve em Ouro Preto o Imperador D. Pedro lI, numa de suas viagens a Minas. Dom Pedro, após contemplar uma tela, numa das residências locais, quis conhecer o autor. Era Honório Esteves. Imediatamente, mandou chamá-Io e ofereceu-lhe uma bolsa de estudos no Rio de Janeiro, a fim de aperfeiçoar a sua arte. Dizem que Honório Esteves ficou vários anos no Rio e, ao voltar, veio a Santo Antônio do Leite e realizou o seu sonho de menino: fez a primeira pintura na igreja de Santo Antônio, em 1881. Infelizmente, uma boa parte dessa pintura já desapareceu. Mas, segundo a tradição, nas tábuas do coro, ainda se conserva uma pintura sua: a cena do batismo de Cristo por São João.

OUTRAS REFORMAS

Impressionante o espírito renovador dos primeiros habitantes de Santo Antônio do Leite. Talvez não fossem impulsionados tanto pela ânsia de renovação, mas pela fé, que quer, sempre mais, para o culto divino, um templo adequado.

Por volta da década de 1880, a Mesa Administrativa da igreja de Santo Antônio resolveu ampliar a primitiva capela: fez construir em pedra novas divisões que se anexaram à primitiva igreja. Lamentamos, profundamente, não ter conseguido os dados relativos à parte aumentada. Sabe-se, contudo, que a igreja dobrou o seu tamanho, a sua capacidade. E, agora, quem iria pintar a parte nova da igreja? Surgiu, então, em nossa localidade, outro pintor de raras qual idades, o italiano Francisco Aggretti. Ele viu diante de si todo o teto da nave central da igreja: tarefa difícil. Mas, homem de fé e de tenacidade, pôs mãos à obra. Mandou que se levantassem altos andaimes e começou a pintura. A pintura da glória, do paraíso. Raramente se têm visto igrejas com o teto todo decorado. O trabalho levou meses, mas introduziu no recinto da igreja uma atmosfera de piedade, de esperança.

Hoje lamentamos que a pintura se tenha executado sobre madeira pouco resistente. E a pintura está bastante danificada. Temos esperança de que, algum dia, esta pintura possa ser restaurada. Este é o desejo de todos, principalmente dos responsáveis pela atual reforma

ALTARES DA PRIMITIVA IGREJA

Havia três altares na igreja de Santo Antônio, anteriormente à última reforma. O altar-mor. de madeira, era formado de uma grande mesa de celebração, atrás da qual, se superpunham vários degraus em um gigantesco nicho. No alto do nicho, em uma redoma de vidro, figurava a imagem do Padroeiro Santo Antônio.

Os altares laterais se situavam no término de cada parede da nave central. Mais que o antigo altar rnor. essas peças se destacam por seu valor artístico. Foram construídas também de madeira por um carpinteiro de nossa terra, chamado José Valério, cuja habilidade no trato com a madeira o tornou famoso em toda a região. Esses altares medem a altura de 2,50 m. Foram pintados, segundo a conclusão de peritos, pelo mesmo artista que de- corou o teto da nave central, ou seja, o Sr. Francisco Aggretti. Evidente- mente, essas obras arquitetônicas foram cuidadosamente conservadas na igreja de Santo Antônio.

Se você ainda não teve a curiosidade, vá logo à igreja e verá que maravilha são os dois altares: um está embutido na parede interna da nave lateral esquerda: é o altar do Santíssimo. O outro, na nave lateral direita: é o altar de São Vicente.

AS TORRES DA IGREJA

Até o início deste século, a igreja de Santo Antônio do Leite parecia, no seu aspecto externo, mais uma capela que uma igreja. Sua dimensão inter- na era já grande, mas não impressionava externamente. Por que isto? Não foi difícil aos mesários da época achar a razão: faltavam torres à igreja. Deliberaram, então, construídas e o trabalho foi condu (do em pouco tempo.

Entretanto o trabalho foi bastante precário. Por deficiência talvez de conhecimentos técnicos, as torres estiveram a pique de ruir. Os próprios sinos foram retirados e colocados em uma armação de madeira, ao lado da igreja.

Por volta de 1918, quando eram dirigentes da Mesa Administrativa os Srs. José Gonçalves Pereira e José Gonçalves da Silva, foi atacado o projeto de demolição das primitivas torres e construção de outras novas, resistentes e adequadas à igreja. Fez-se uma grande campanha financeira, entre a população, como atestam as atas da época. E novamente, duas grandes torres foram erguidas. Seu aspecto é original, diferente. São mais modernas, mais geométricas, contrastando com os tons mais barrocos das igrejas da periferia.

Altas, num comprimento de 15 metros, aproximadamente, seu topo afilado aponta para os céus, mostrando ao caminheiro a destinação eterna do homem. Sobre elas, armaram-se dois grandes pára-raios, para proteger o templo, nos vendavais e tempestades, então muito freqüentes.

E, na parte interna do alto da torre direita, foram recolocados os três sinos. Na torre esquerda, um relógio antigo, cujo bater das horas se fazia através de marteladas num quarto sino, para isto adaptado. O relógio foi construído, segundo as atas, pelo Revmo. Pe. Francisco Xavier de Sousa e adquirido pela Mesa Administrativa da época, na Paróquia de Cachoeira do Campo.Hoje, os campanários se conservam os mesmos. Foi apenas substituído o relógio por outro, elétrico e moderno. Também as escadarias internas - outrora de madeira - são hoje de concreto armado, em espiral, propiciando maior segurança e uma duração indefinida. Isto já faz parte da reforma atual.

Eventos Em Santo Antônio Do Leite.

Festival De Inverno: O primeiro festival de Inverno.

Dia 27 de Julho a  30 de Julho 2017

 

Tradicional e centenária Festa dos Mineiros de Santo Antônio do Leite:

Dias 11,12 e 13 de Agosto de 2017